sexta-feira, 25 de março de 2011
Em caráter emergencial, MinC libera R$ 500 mil para cidade que é Patrimônio da Humanidade
“Ainda não fechamos o orçamento, mas já destaquei R$ 500 mil para o Iphan socorrer a cidade de Goiás. A verba tem caráter emergencial, mas o trabalho será permanente”, explicou a ministra. “A Cidade de Goiás tem um diferencial em relação às outras cidades. Ela é fundamental para a memória, para a lembrança e para a história do Brasil”, completou. A estratégia de ação será definida a partir do relatório apresentado nesta quinta-feira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De acordo com o documento, somente nos 13 primeiros dias do ano choveu 90% do esperado para todo o mês de janeiro. O principal efeito da alta do índice pluviométrico foi a cheia do Rio Vermelho, que corta a cidade e transbordou na última segunda-feira (10).
Dos cerca de 800 imóveis tombados, 42 sofreram danos, sendo que dois sofreram perda total. Dez pontes também precisaram ser parcial ou totalmente interditadas e 123 famílias estão desalojadas. O prefeito de Goiás, Joaquim Berquó, decretou situação de emergência.
O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, acredita que “a ministra visitar a Cidade de Goiás é uma declaração indubitável de apoio ao patrimônio”. Para ele, a dimensão das ações a serem realizadas vai além de uma política de preservação do patrimônio. “Tem que se olhar a raiz do problema: o meio ambiente, o solo, a região”, ponderou.
O relatório explica que as principais causas das constantes enchentes do rio são a erosão das margens e o grande número de curvas estreitas no curso de água, que aumenta a força da correnteza quando a vazão aumenta.
Otimista, a ministra Ana de Hollanda acredita na recuperação de Goiás. “Quero voltar aqui em momentos alegres. Agora vim em uma missão de solidariedade, para ajudar a cidade”, finalizou. Também acompanharam a visita a superintendente do Iphan em Goiás, Salma Saddi, e o presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel), Gilvane Felipe.
Memória
O núcleo urbano da cidade de Goiás se desenvolveu às margens do Rio Vermelho, com os locais de mineração e moradias disputando a topografia acidentada. Este tipo de ocupação tem feito com que a cidade, ao longo de sua história, sofra impacto em épocas de intensas chuvas, como a grande enchente de 1839.
No final de 2001 e começo de 2002, menos de um mês após a cidade ter recebido o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, cerca de 160 dos 800 imóveis tombados pelo Iphan foram danificados pela enchente, entre eles a casa onde viveu Cora Coralina e onde estava o acervo de objetos e anotações pessoais da poetisa.
Cidade Patrimônio
O Centro Histórico da cidade de Goiás, antiga capital do estado, entrou em 2001 na Lista do Patrimônio Cultural Mundial, tornando-se o 17º Patrimônio da Humanidade localizado no Brasil. A cidade tem importância histórica, por ser o local onde o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, localizou grandes jazidas de ouro.



